06 julho 2009
Faça uma linha com todas as histórias
Que sempre temos que contar pra tentar mudar de vez
Siga essa reta sem se desviar
E tente se equilibrar sem a ajuda de ninguém
Eu não quero mais ficar por aqui querendo estar noutro lugar
Não há porque querer insistir no que a mente tenta esquecer
Do que eu posso não dá mais pra fugir
Por ser covarde ou ter coragem demais
(Coragem nunca é demais)
Corte essa linha e escolha um lugar e hora
Pra sentir na pele como é não se mover
Quebre as correntes que seguram os seus pés
E trilhe o seu caminho
Deixe marcas
Conte sua história
Eu não quero mais ficar por aqui querendo estar noutro lugar
Não há porque querer insistir no que a mente tenta esquecer
Do que eu posso não dá mais pra fugir
Por ser covarde ou ter coragem demais
(Coragem nunca é demais)
E o que bate aqui
Ninguém vai tirar
E sobre os estilhaços eu vou andar
Eu não quero mais ficar por aqui querendo estar noutro lugar
Não há porque querer insistir no que a mente tenta esquecer
Do que eu quero não dá mais pra fugir
Por ser covarde ou ter coragem demais
E é dessa forma que eu começo a publicar, enfim, as minhas letras, que são parte das músicas da banda REVERSI, na qual eu estou trabalhando minhas próprias composições.
Esta aqui é primeira de várias (no mínimo dez, por enquanto) que eu postarei/tentarei postar semanalmente.
E escolhi essa exatamente pela urgência de escolha que ronda minha vida nos últimos tempos... Só sei que parado eu não fico mais.
*Ouvindo: Alice in Chains - A Looking In View
17 junho 2009
Doses de Tequila (parte 2)
E eu nem vim até aqui para falar de algum possível porre ou algo que o valha. Na verdade, como eu havia bem dito, há MUITO tempo atrás, era exatamente que havia diversas interpretações sobre esse meu lance quase que espiritual com a tequila.
Dessa vez o que vem à tona como um simples e pequeno copo que é colocado ao balcão, como se fosse algo comum, é aquela espécie de momento que te faz repensar sua vida inteira até ali. Cada decisão, cada simples “oi” em uma tela que, de repente, se transforma uma série de acontecimentos, até que a gente se dá conta, assim, no meio de uma conversa, de que tudo aquilo é real e que não há distância que separe certas palavras, sentimentos, porres e rituais em comum.
E hoje já não importa mais nem a ordem desses rituais. Se for pra proteger do ácido, é melhor que o limão venha primeiro pra prevenir que depois pra curar o que já foi aberto. Vale lembrar que prevenir não significa aqui se privar do que vem junto com o sabor da tequila. O que vem com esse gosto é toda a verdade e toda a realidade do que se quer sentir e viver.
E se eu já havia exaltado antes a companhia que nos acompanha nessa viagem de autoconhecimento travestida de ritual etílico entre cachaceiros de primeira, o que me resta aqui é acentuar que nada pode ser melhor do que dividir esse momento com pessoas que querem, da mesma forma que eu quero, criar uma cena única em nossas vidas e eternizar aqueles sorrisos e olhares pra lembrar e rir com a mesma intensidade anos e anos depois, ou mesmo ininterruptamente durante uma semana inteira.
E assim a gente começa a pensar quando é que deixaremos de exagerar no sal quando o que queremos é adoçar a vida... Quando é que deixaremos de exagerar no limão pra sentir de fato as coisas como elas são. Quando é que tomaremos a tequila pura e sincera, arcando com as conseqüências sem anular o aprendizado do exagero nem anular o prazer de ter a coragem de o fazer.
E então eu me dou conta de que há muito tempo eu já comecei a pensar assim, e se eu deixei de pensar assim em algum momento, foi este o meu momento de fraqueza. De repente nem toda vitória deixa de ser amarga e nem todo porre é nauseante. E voltar a beber desta tequila, com pessoas que sabem o que isso realmente significa, o que isso realmente traz de bom, o quanto isso realmente nos aproxima e nos torna pessoas mais puras e sinceras, é o que nos faz decidir seguir em frente e arriscar.
Afinal, nenhum lugar pode ser tão longe quando é arriba, abajo, al centro, adentro de nuestras vidas.
N. B. 2 (Nota do Blogueiro 2): Este post é dedicado a Maringá e a todos os amigos e amigas de pouco tempo que já são de sempre, e todas as pessoas maravilhosas que eu conheci nesses últimos seis meses e, principalmente, que eu vi ou conheci neste fim de semana.
* Ouvindo: U2 - Stay (Faraway, So Close)
08 dezembro 2008
Antes de começar um novo texto, sinto a necessidade urgente de dizer que, desde minha última postagem, nada de concreto mudou... O que foi decidido desde então continua decidido, e as coisas até vão bem, obrigado. Tanto que o que eu notei depois de erguer a cabeça e ir atrás do que realmente faz parte de mim, me encontrei e desencontrei em vários lugares, pessoas, ações, momentos... Até que finalmente, em um final de tarde, uma amiga me pergunta se eu estava seguindo um “jejum de música”, sugerido por um cara qualquer na Internet, por ser a véspera do dia de Santa Cecília. Estava no meio de uma música que dizia “I am a moth who just wants to share your light, I’m just na insect trying to get out of the night, I only stick with you because there are no others... You’re all I need...” e o que me chamou atenção não foi nem um pouco a idéia pseudo-alternativa de um jejum de música, ainda que seja uma idéia original. O que me botou em um estado de quase frustração comigo mesmo foi não saber até aquele momento que Santa Cecília é a padroeira da música.
Pra resumir a coisa, tudo o que quiserem saber sobre a Santa está neste link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Cecília. Mas, não mais que repentinamente, tudo o que me ligava de certa forma à ela e ao nome dela me veio à mente como várias imagens em slide... O bairro, aqui em São Paulo, é um dos poucos que posso dizer que não conheço quase nada, mas que sempre me trouxe uma curiosidade, uma coisa quase de querer descobri-lo...
Era sempre uma estação antes da Marechal Deodoro (óbvio, ainda é, mas eu escrevi “era” remetendo a quando ser uma estação antes da Marechal Deodoro era realmente relevante por assim ser), e nessa época tudo o que eu queria é que a estação sumisse logo da minha frente, pra eu chegar logo no destino tão desejado...
Um bom tempo depois, num salto de 5 anos, Santa Cecília havia se tornado exatamente o oposto do que era antes: era o meu destino... em todos os sentidos. E para todos os meus sentidos... E mesmo eu estando a dois anos de descobrir, por uma amiga, que Santa Cecília e música tinham algo em comum, eu já sentia ali a música e todos os compassos e os acordes retumbando sobre minha pessoa, em um momento muitíssimo parecido com o que vivo agora, onde havia me desapegado de tudo aquilo que não me era importante e, concomitante a isso, me fazia muito mal... Era praticamente um santuário, onde na verdade eu só estive duas vezes, mas a única vez que me faz lembrar de Santa Cecília é “aquela noite em que o amor verdadeiro pareceu possível”... Vinte e quatro horas onde eu vivi meu sonho lúcido antes mesmo de qualquer acidente posterior... E que valeu a pena.
E era a música, misturada com esse sentimento que eu vivo buscando, junto com o próprio querer viver por buscar, que me fazia desejar estar ali e em nenhum outro lugar.
E agora, depois de saber que Santa Cecília é a padroeira do que me faz abrir os olhos de manhã e acreditar que eu estou aqui por um motivo, ela me traz ainda novos ares, e de novo novos prismas, novas sensações, ainda que pareçam as velhas... Me traz música de novo, daquelas que te divertem e te deixam felizes pura e simplesmente, e não daquelas que te fazem querer voar ou querer morrer. Me traz sorriso nos lábios agora, lembranças boas do passado e vontades simples de um futuro próximo. Mesmo que tudo não passe de coincidências e conseqüências, e que eu esteja vendo só o que eu quero ver do jeito que eu quis ver, com todas as capas de disco, e todos os nomes e lugares e fotos e filmes e cenas e palavras e sons e luzes e olhos (tão pequenos e parecidos com os de outrora), mais todas as pequenas coisas que nos conecta de alguma forma.
E eu sei que, ainda que tudo seja como antes ou até mesmo nada saia do lugar, Santa Cecília ainda estará lá, por mim, mesmo eu só sabendo agora que ela sempre esteve por mim como eu, sem saber, por ela... Mesmo que eu sofra as mesmas punições por preferir o fim à ter que lidar com algo que não faz parte de mim, ou me tornar algo que eu não sou.
Agora só me resta querer que “me sentem, me calem, me acalmem...” Ou talvez deixar tudo isso “pra uma outra vida... quando formos gatos...”
Ouvindo: Beach Boys – Good Vibrations
19 setembro 2008
Não esperem que eu entre em um casulo e me transforme em algo que não faz parte de mim. Por mais colorido e cheio de vida que fosse, não seria eu, enfim.
Não por querer me esconder no escuro do mundo, mas por querer tanto dividir uma luz da qual apenas eu me alimento e pela qual me guio.
Não dá mais pra aceitar a insônia, a angústia, a fome sem apetite, o ódio por alguém que nem sei sequer o nome ou a idade, a saudade de tudo o que eu nem conheci mas sempre quis e ainda quero viver. Não quero mais me ver e me comparar a todo momento, dentro de infinitas metáforas, a insetos que só vivem de construir e destruir logo em seguida; a seres pequenos que se chocam a todo momento; que nascem e morrem a todo momento; que são apenas banais e cuja única certeza é o fim em uma ou em uma gota de chuva ou em uma palma de mão ou sola de chinelo.
Não dá mais, enfim, para me auto-sabotar ainda mais e acabar burlando o principal motivo por eu ainda estar aqui. E cada sorriso que me faz sorrir, cada aperto de mão de gratidão real, cada lágrima ou fato triste que me faz chorar por ser um ser chorante e não choramingador, cada olhar novo e cheio de significados para me ensinar a como ensinar, é o que me faz dormir no meio da insônia, afastar o que me deixa angustiado, ainda que eu me arrependa de não saber afastar o que me alimenta sem eu querer. É o que me faz andar no meio dos outros insetos, mas ciente de que, tão logo eu me desprenda do enxame, eu conseguirei chegar àquela luz. Ainda que eu perca tudo pelo caminho. Ainda que a luz me ofusque. Ainda que os que voam a mais tempo não queiram dividi-la comigo. Ainda que eu tenha que me adaptar, mais uma vez, ao habitat que eu escolhi.
De qualquer maneira, o ciclo só se completa quando eu sair do casulo. E eu tenho que fazer por mim mesmo.
*Ouvindo: Mama Cass Elliot - Make Your Own Kind Of Music
05 março 2007
...
A linha acima é o que eu tenho a acrescentar em relação às duas letras (as duas do Chris Cornell) e tudo o que elas dizem, além de falarem por mim nesse momento...
Blow Up The Outside World
Nothing seems to kill me no matter how hard I try
Nothing is closing my eyes
Nothing can bring me down for your pain or delight
And nothing seems to break me no matter how hard I fall
Nothing can break me at all
Not one for giving up though not invincible I know
I’ve given everything I need
I’d give you everything I own
I’d give in if it could at least be ours alone
I’ve given everything I could
To blow it to hell and gone
Burrow down in and
Blow up the outside world
Someone tried to tell me something
Don’t let the world bring you down
Nothing will do me in before I do myself
So save it for your own and the ones you can help
Want to make it understood
Wanting though I never would
Trying though I know it’s wrong
Blowing it to hell and gone
Wishing though I never could
Blow up the outside world
Blow up the outside...
Boot Camp
I must obey the rules
I must be tame and cool
No staring at the clouds
I must stay on the ground
In clusters of the mice
The smoke is in our eyes
Like babies on display
Like angels in a cage
I must be pure and true
I must contain my views
There must be something else
There must be something good
Far away... Far away from here...
As duas músicas são do último disco do Soundgarden, cujo nome é o título deste "post"...
Achei melhor mantê-lo no original... Achei que a tradução não seria tão fiel à sensação e ao visual que a frase originalmente carrega consigo...
Mas é algo como estar no topo e, ao mesmo tempo, estar para baixo... É o que define de fato o meu momento agora: milhões de acontecimentos estourando na minha frente ao mesmo tempo... Nada daquela rotina fria e impiedosa... Muitas pessoas me fazendo feliz (ou tentando), todas as coisas (tentando) se encaixar e mostrando diversas oportunidades e cenas de valor tão inestimável agora quanto será por muitos anos... E ao mesmo tempo, um tédio, um marasmo, uma força negativa me puxando pra baixo e fazendo todas as amenidades - ainda que apenas amenindades - desmoronem de uma só vez diante de mim... E eu acabo estagnado, sem direção... Acabo magoando quem têm me feito mais feliz e de certa forma deixando mais feliz quem, definitivamente, não torce por mim.
Não é dar-me por vencido. Isso NUNCA... Mas, assim como o segundo texto postado nesse blog, é sempre algo que vai passar e vai voltar. E, mesmo não me dando por vencido, me sinto forçado a seguir certas regras por um tempo... E fazer essa roda gigante da vida dar mais uma volta completa, até que eu esteja no topo e me sinta, de fato, lá no alto...
*Ouvindo: Soundgarden - Boot Camp
22 fevereiro 2007
Para começar, peço desculpas pela demora a quem ainda visita este blog em busca de algum espasmo de consciência e conceitos que (ainda que raramente) passem pela minha cabeça.
O motivo é até óbvio, para não dizer repetitivo: acontece com tantos o evento da vida, quando começamos a nos deixar tomar pelos momentos, sejam eles banais, importantes, inadiáveis ou ainda necessários... Esses dias, São Paulo estava no meio de uma chuva absurda, eu estava de frente para o metrô Clínicas, em um ponto de ônibus.
De repente, me peguei observando a paisagem. Era um cinza brilhante... Na verdade, um prateado... O céu combinando com os prédios e o asfalto, como se fossem todos pintados numa mesma tela com os mesmos tons, e bem no meio uma propaganda vermelhíssima (acho que ficou mais vermelha ainda com as gotas de chuva sobrepondo-se a ela) de um banco famoso. Também havia duas árvores, em particular, com as folhas muito verdes e flores bem roxas. Parecia uma foto. E eu percebi que, se os filmes são milhões de fotos em seqüência numa velocidade incrivelmente rápida, ainda não inventaram uma máquina que nos dê uma imagem tão rápida e bonita e perfeita quanto a vida.
Então, essa noção de não parar para escrever ou racionalizar as coisas quando nós temos tudo isso para curtir, e não nos dá tempo para parar, foi exatamente o que se passou comigo desde o último post. E tem muito a ver com o que eu vou publicar hoje.
Em um dos nada raros momentos de auto-filosofia, me peguei pensando na coisas que nos fascinam por se apresentarem iguais a nós ou ao nosso modo de pensar a vida/enxergar o mundo. Damos vários nomes e expressões, como “estava escrito nas estrelas”, ou “é o destino”, ou ainda “o caminho inalterável das coisas”. Na verdade o que acontece é exatamente aquilo que procuramos. Para usar mais um clichê, “colhemos aquilo que plantamos”. Mas aqui não estou colocando no sentido de causa/conseqüência, apesar de ter essa carga associativa inclusa.
Coincidência. Conversando com um amigo no começo do ano (depois do meu último post aqui), discutimos o significado pelo significante: co-incidência. Significa que é um evento que acontece quando duas ou mais coisas incidem no mesmo ponto, ou na mesma direção, como queiram. É simples assim! Não foi o mundo todo ou os astros ou a cor da sua roupa de hoje que conspirou a favor de você conhecer uma pessoa, reencontrar outra que você acabou de pensar, conquistar algo que estava tão perto. São as pessoas mesmo que traçam seus caminhos e, se o objetivo de cada um destes for o mesmo, é óbvio e quase 100% provável que elas pensem do mesmo jeito, utilizem-se dos mesmos mecanismos para viver e observar o mundo e alcançar suas metas, e tinham naquele momento inclusive os mesmos conceitos e opiniões sobre os mesmos assuntos e acontecimentos.
Já me enganei muito muito pensando “nossa, foi o destino que me trouxe aqui...” Ou então “como posso estar ao lado de pessoas que têm tanto ao ver comigo?”. Isso não tem nada de sorte ou caminhos já traçados. E é óbvio que cargas quase telepáticas ou conexões com pessoas de energia semelhante ou praticamente igual a nossa existem. É exatamente o que os astros e estrelas refletem para nós. Ou seja, eles não têm a resposta para o que queremos saber, pois são apenas espelhos, muito importantes para enxergarmos aquilo que não conseguimos ver sem luz... O que eles fazem é refletir exatamente o que fazemos aqui.
E tudo isso só traz a certeza de uma coisa: se temos algo ou alguém muito parecido por perto, tudo o que temos a fazer é valorizar esse momento e ter nessa pessoa também um astro ou uma estrela para refletir nossa luz e nossos sonhos e pensamentos. Nunca sabemos o quanto vai durar e por isso mesmo não podemos depositar todo nosso futuro nelas, para não as sobrecarregar de algo que ainda nem existiu. Devemos nos deixar levar pelo que encontramos no caminho, lembrando sempre que cada passo dado nos leva na mesma direção de muitos, e na direção oposta de muitos outros, e não há nada que possamos fazer além de aproveitar as nossas escolhas. Devemos curtir esses caminhos, curtir cada trilha sonora que cada cena carrega, curtir cada momento que cada pessoa nos proporciona, sem nunca atribuir somente ao outro a “culpa” ou “conseqüência” disso tudo... E devemos deixar que essa música co-incida em cada um de nós, pra sabermos quem, de fato, somos agora, procurando nas estrelas apenas o seu brilho e não mais todas as respostas do universo.
*Ouvindo: Soundgarden - Zero Chance
03 janeiro 2007
Dessa vez, eu fiquei sem escrever durante todo esse tempo propositalmente.
Explico: não queria ser banalmente atingido e contagiado por essa síndrome hipócrita (ainda que seja na ocasião uma tentativa honesta de ter algum tipo de esperança) das festas de fim de ano. Talvez fosse escrever um texto que não tivesse nada a ver comigo em absoluto. Ficaria gravado aqui, então, um conceito inútil com votos de prosperidade pra um futuro que não existe em outro lugar que não nos calendários que ganhamos das padarias, farmácias e açougues.
Resumo essa introdução com o pedido para que leiam o meu primeiro post de 2005 (e penúltimo daquele blog) sobre minha relação com o tempo:
http://www.rubensdionisius.blogger.com.br/2005_01_01_archive.html
Enfim. Fato é que aconteceu. Eu esperava mais um daqueles finais do que chamamos de ano, e já esperava aquela coisa morna, cinza (mais cinza ainda com a garoa insistente do litoral sul de São Paulo), que faz a gente até perder a noção do nome do dia em que a gente está... Não foi nada raro me pegar pensando “hoje é sexta? Amanhã já é domingo?” e ouvir muitas outras pessoas ao redor fazendo as mesmas perguntas. É tudo um grande dia longo no qual a gente dorme 4 vezes a cada 24 horas (o que foi determinado por um certo contrato social que se chamasse dia). E o que fica na mente é que, ainda que tenhamos aprendido muito com o ano que passou, e que o aprendizado seja permanente enquanto vivermos, cada ano que passa é um ano que já passou. Cada ano a mais é na verdade um ano a menos na nossa linha da vida.
O último dia... Desculpem-me... As últimas 24 horas do ano não foram diferentes das 72 anteriores, salvo reuniões com os amigos e almoços com a família. Mas algo tomou conta de mim às 23:59 do dia 31 de dezembro de 2006: algo que nos anos anteriores vinha forte demais ou não vinha por absoluto... Uma sensação de necessidade de mudança. Sensação que trouxe uma certa coragem no meu peito quando os fogos começaram a subir na direção do céu escuro, sem estrelas, como se subissem pra pintar novas estrelas no lugar daquelas que sumiram. E então eu decidi, no primeiro minuto de 2007: quero pintar estrelas novas no meu céu daqui pra frente.
Não vejo motivo algum (a não ser meu ceticismo sobre conceitos iguais a esse) para não chamar essa sensação de esperança. Não na paz mundial, nem no amor entre diferentes raças e credos. Isso sim, seria muito mais egoísmo do que ter a esperança que eu senti, de que eu tomaria de vez as rédeas das minhas buscas e construiria, à partir dali, meu próprio caminho, ou ainda diversos caminhos diferentes pra que eu possa escolher um definitivo, se eu tiver essa oportunidade. Não vejo como egoísmo pensar nos meus caminhos e buscas, pois sem eles eu não poderei nunca fazer a minha parte como membro de uma sociedade, de uma raça, de um povo, de um grupo, de uma banda, de uma universidade, de uma família. Simplesmente desejar tudo de bom está bem longe de dedicar-se ao que mais gosta e, como conseqüência, fazer o possível pra que tudo esteja, continue ou comece a ficar bom.
Os fogos acabaram, mas essa chama ficou e ficará aqui dentro por muito tempo... Tempo esse imensurável. Não me sinto contagiado pelo bichinho do fim de ano. Me sinto contagiado pelas estrelas que foram sumindo para dar lugar a novas cores, formas e movimentos no céu.
E que as novas estrelas, ainda que passageiras aos olhos, permaneçam brilhando infinitamente na alma.
*Ouvindo: Pearl Jam - Oceans
11 dezembro 2006
Sal, tequila e limão. Nessa ordem.
O sal abre as papilas gustativas e protege a boca da acidez da tequila. Logo em seguida, uma dose de tequila é virada, provocando uma deliciosa sensação que toma conta da gente enquanto a bebida vai descendo. E, por fim, o limão que fecha as papilas gustativas e quebra o excesso de tequila que fica na boca.
É uma experiência muito gostosa, tanto na parte da degustação quanto pelo ritual e pela curtição do momento.
E eu poderia escrever aqui uns 7 ou 8 textos diferentes, com metáforas diferentes, ligadas à tequila e tudo o que envolve o momento em que ela se faz presente.
Só que uma coisa tem me incomodado bastante, e por isso vou levar o texto por um caminho em que eu possa chegar perto, nem que seja pouco, de uma conclusão sobre o porquê das pessoas fazerem isso, e assim tentar entender um pouco.
Tenho percebido que as pessoas têm utilizado demais seus mecanismos de defesa. Claro, todo mundo tem que ter um pouco disso. É quase instintivo, ainda mais no mundo louco de hoje, as pessoas se protegerem como podem. Contudo, agora já virou mania, obsessão. Talvez até moda, sei lá... E o que elas conseguem com esse comportamento exagerado de se esconder de tudo? Simples: ficam limitadas, à mercê de qualquer coisa fútil e boba que a vida pode lhes trazer. Nunca experimentam experiências diferentes, ousadas, que lhe tragam algo novo, seja como aprendizado ou como lembrança.
Tudo isso citado acima é ainda mais presente e notável quando se trata de relacionamentos.
As pessoas enchem de sal as partes mais doces de uma relação, para poder se proteger de qualquer reação mais ácida no futuro, mas depois não conseguem experimentar o sabor mais puro e gostoso da tequila. Viram a tequila tão rápido, de uma só vez, sem apreciar nada, sem paixão, apenas pra falar que beberam, mal sabendo se era daquele jeito mesmo que era para beber. E terminam por azedar tudo com o limão, para tirar de vez o gosto que elas nem sabem (e nunca vão saber) se ia ser forte demais ou não, se ia ser bom ou ia ser ruim.
Muitas vezes as pessoas teimam, inclusive, em fingir um mecanismo de defesa que elas não têm. E sofrem sem sentido. Todo mundo deveria encarar os relacionamentos e a vida em geral como se estivessem com doses de tequila à sua frente. Cada momento é diferente... Cada experiência é única como a união dos três ingredientes do ritual etílico, pois sempre estamos com pessoas novas, em lugares distintos, com humor variável a cada situação. É saboroso, delicioso, enche a gente de alegria e enche nossa cara com um sorriso. Cada companhia marca o momento de forma mais diferente e especial... E a experiência em um relacionamento, assim como em uma rodada de tequila, será sempre memorável, seja pelo ritual quase erótico e afrodisíaco que terminou com todos em profundo êxtase, seja pela dor de cabeça horrível e a ressaca moral no dia seguinte.
Enfim... Acho que só posso falar por mim no fim de todas essas constatações...
Eu amo tequila. E amo poder amar tequila, sem medo de acabar me embriagando sem querer e ficar sozinho no chão do banheiro. O que vale pra mim é poder lembrar de cada dose... Cada gole de músicas, sentimentos, carícias e olhares que eu pude experimentar. E tudo que ficou do passado que eu lembro com carinho por saber que aprendi da minha própria maneira, a sorver o máximo possível do sabor da vida e dos amores que ela me traz.
N. B. (Nota do Blogueiro): Se você terminou de ler e chegou à seguinte conclusão: “putz, o Rubens virou um alcoólatra de vez”, releia o texto, pois você não entendeu nada... E eu torço pra que você entenda, algum dia, o significado dos sabores à nossa volta. Obrigado.
*Ouvindo: Incubus – Are You In
29 novembro 2006
Acontece. Mas eu realmente preciso tomar o cuidado de não vir até essa tela branca e bege só quando algo aqui dentro começa a latejar.
Queria produzir algo concreto sem a pressão dos fatores abstratos, que teimam em se mostrar egoístas e mais importantes que simples pensamentos...
Enfim... Acho que tudo isso acaba fazendo com que parte de nós se mantenha em constante indagação a respeito de qual caminho seguir. Exemplo claro e concreto? Simples: tive a idéia de voltar aos meus textos, querendo mostrar meu modo de ver e viver o mundo e a vida, podendo assim dividir isso com outras pessoas e, principalmente, aprender com as outras visões que fossem compartilhadas... E eu mesmo não consigo manter a idéia principal de um modo que ela possa fluir por aqui, sem interrupções repentinas.
Isso tudo acontece, creio eu, porque a busca por algo nunca acaba. O que muda é o objeto que a gente passa a desejar...
"Mesmo quando ele consegue o que ele quis, quando tem já não quer!
Acha alguma coisa nova na TV, o que não pode ter...
Deixa de gostar, larga mão do que ele já tem. P
assa então a amar tudo aquilo que não ganhou!"
São só crianças que são assim? Claro que não. Aliás, o ser humano já nasce com essa coisa de querer o que não tem, ou pior, querer o que não pode ter...
Buscamos tanto algo e, de repente, quando conseguimos, não damos mais valor...
Talvez eu esteja me desviando um pouco do título e do começo do post, mas explico agora: talvez seja difícil escrever um texto ou uma poesia sobre como somos ou como nos sentimos agora, sabendo que vamos mudar. Na verdade, já sabemos que estamos em constante mudança. Mas quando isso acontece dentro da nossa cabeça de 5 em 5 minutos, a coisa fica mais grave. E então chegamos no ponto principal do que eu quero passar através desse texto: nosso corpo vira um instrumento da alma, pra que esta realize todas as suas vontades instintivas. E cada vez que realiza uma, procura por outra, e assim nos desvia mais e mais do que realmente importa: o que nós sonhamos, projetamos, planejamos e que realmente fariam diferença na nossa vida e na de outras pessoas.
Eu não tenho conseguido sonhar sem me arrepender. Tem me incomodado o sonhar, sabendo que daqui a pouco meu estômago ronca e eu tenho que lembrar que o sonho está mais longe que meu umbigo. Incomoda o fato de querer aquilo com tanta força e saber que não há acordo entre minhas vontades/desejos e meus objetivos e obrigações (se é que estes são os meus objetivos). Incomoda o pensamento de que eu estou sozinho porque eu quero me ver sozinho, pra poder botar nisso a culpa de não conseguir algo. Incomoda porque é covarde, é medrosa e cínica essa forma de ver tudo à minha volta e não fazer nada para mudar isso e voltar ao meu foco inicial.
"Dream on. Dream until your dream come true."
Pra mim tem sido esse o lema. Mesmo sem saber o quanto tudo isso vale a pena. E mesmo sabendo que isso não tem nada de egoísta, pois já envolve outras pessoas por si só e, por isso, me torna responsável por elas também.
Sonhar acordado se tornou impossível, pois estou consciente, e o sonho só é possível quando você fecha os olhos e se livra de parte do que você considera razão.
Aproveito e peço pra procurarem pela música que estou ouvindo, e também para verem esse vídeo. Resume tudo isso que escrevi (deveria ter dito isso antes, né?)
http://www.youtube.com/watch?v=d9UwUZIuPH0
Beijos e Abraços
*Ouvindo: Queen - Spread Your Wings
21 novembro 2006
É, depois de um sono de mais de um ano e meio, já fiquei mais de uma semana longe daqui...
Só sei que essa semana inteira que passou foi bem complicada, por conta de diversos fatores.
Fatores que tornaram essa semana muito intensa em muito sentidos, mesmo até agora não tendo feito nenhum sentido real até agora pra mim.
A gente quer fugir da realidade, às vezes a qualquer preço, e depois viu que pagou caro de certa forma.
Não tão caro assim... Na verdade, nem foi fugir assim da realidade... Mas foi transformar em tédio cada situação e detalhe que servem, ironicamente, para fugir do tédio.
E nessa hora a gente não entende mais nada. Toda a diversão da semana durou tempo suficiente para formar uma pergunta na minha cabeça: estou vivendo a vida como se deve - ou melhor, como eu sempre quis - ou estou me distraindo dela?
Foi engraçado vir isso tudo exatamente depois de eu recomeçar o blog... Afinal, uma das principais razões dessa minha volta é mesmo uma volta às minhas atividades que eu mais fico satisfeito, por me sentir produzindo algo de certa forma... A vontade de escrever, de ler obras diferentes, de aprofundar alguns estudos na faculdade... E tudo isso esvaiu-se minutos após o início da segunda-feira (dia 13/11), e só foi voltar, frágil, agora.
Aproveito pra colocar um dos meus últimos textos aqui. Representa ainda mais a idéia de ciclo, independente do clímax atingido ou do tédio constante. Tudo, uma hora, se dissipa em risadas, bocas macias, copos cheios e em todo o clima local de euforia. E depois tudo volta de novo e de novo...
O texto começa propositalmente com reticências, mas já digo desde já que não falarei tanto delas no futuro quanto falo agora... Vou dar todo o tipo de ênfase nesse momento pra não precisar ficar explicando todas as próximas vezes...
Espero que gostem...
"...vai passar.
A nuvem cinza eu sei que ainda está aqui e ainda traz a chuva forte, pra alagar o peito que só clama alto por viver, e sempre tenta adivinhar "até quando esperar?" se tudo o que queremos não depende de ninguém além da gente, pra dar certo e fazer a gente perceber quem de nós é de verdade indiferente a ponto de deixar fluir essa neblina espessa e não querer fugir, e então partir agora, já que o coração tá quase explodindo e vai querendo, assim, nos ver andar no meio dessa massa e gritar até perder a voz, perder o olhar e, então, chorar, pois tudo foi apenas uma onda diferente da que a gente vê, quando esse horizonte longe chega até nossas retinas que, de tão cansadas, se contraem e se ofuscam com o raio de luz que escapa desse céu, que sabe que toda essa dor não..." (REPETE IMEDIATAMENTE DO COMEÇO)
Beijos e abraços...
*Ouvindo: Mad Season - Wake Up
11 novembro 2006
Justo. (Melhor palavra que essa pra recomeçar um blog meu, impossível...)
Fato é que eu decidi voltar com todas aquelas digressões e visões atualizadas... Aqueles poemas e mini-contos... E, entre muitas outras coisas, voltando com as mesmas reticências, porque o único ponto final da nossa vida é a morte.
As minhas reticências sempre foram algo natural em mim. Um dia desses peguei meu blog antigo (em tempo: www.rubensdionisius.blogger.com.br - pra quem quer saber sobre meu começo pseudo-literata, mas nunca se tocou que esse link estava o tempo todo no meu Orkut) para uma auto-análise de forma e conteúdo. E não me surpreendi nem um pouco em ver o quanto, desde o início, os três pontinhos me seguiam no final de cada pensamento.
Pois digo que é muito simples comprender isso e, daí, compreender uma boa parte de minha pessoa: reticências pressupõem continuidade de idéias, marcações propositais de tensão de uma narrativa - exatamente por encher de mistério e incerteza o que vem a seguir - e, principalmente, pressupõem idéias inacabadas, ou que ainda podem ser completadas de diversas maneiras possíveis...
É o que eu sou. Prefiro ter um conceito "errado" sobre algo, podendo analisar e compreender todas as possibilidades que me mostram onde estou errado, a ter um conceito certo e não enxergar tudo o que pode vir dali pra frente por causa da minha escolha. Gosto de completar minhas idéias com muitas outras espalhadas por aí. Gosto de deixar uma certa margem de aceitação à idéia do outro, independente da noção de que essa idéia pode me fazer crescer como pessoa ou me fazer perder tempo. Que tipo de aprendizagem teríamos se já tivéssemos - qualquer que fosse nossa idade ou experiência de vida - todos os nossos conceitos já pré-definidos? Que tipo de discussões poderíamos ter?...
Pessoa A - O mar é azul porque reflete o céu...
Pessoa B - Acho que não... Talvez seja porque as algas...
Pessoa A - Cala a boca! É óbvio, ué!
Pessoa B - ???
Enfim... (mais uma "palavra do Rubens")
Escrevi tudo isso e, na verdade, quero explicar por quê voltei...
Vou deixar pra explicar no próximo post, se eu me lembrar de seguir uma linha contínua e progressiva de raciocínio...
Mas posso adiantar o motivo principal: a gente vive em ciclos, que se repetem e repetem... E a gente sempre volta pra terminar o que ficou inacabado antes e ainda começar algo novo que, se não puder ser concluído agora, teremos a chance de fazê-lo de novo. Basta querer, poder e saber fazer...
Resumindo: Quero transformar certas reticências em pontos.
Mas nunca em pontos finais...
*Ouvindo: Dream Theater - Octavarium
